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Revista Sua Saúde - Edições de 2011 Edição 17
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Fique alerta: o inverno é uma época propensa a doenças respiratórias em crianças

Com a chegada do inverno, é comum ver pequenos com o aspecto abatido, nariz escorrendo, espirrando, com tosse, alergias e dificuldade para respirar. Por serem mais frágeis e pré-dispostos a complicações respiratórias, bebês e crianças costumam estar mais expostos às doenças nessa estação. As adversidades mais comuns, além das infecções virais conhecidas, como os resfriados e as gripes, são a rinite, sinusite, bronquite, asma e otite média aguda.

Isso acontece porque as baixas temperaturas e o clima seco, principais características da estação, propiciam o aparecimento de doenças respiratórias, como explica o Dr. André Pereira, responsável pelo setor de pediatria do Hospital Rios D’Or:
- O frio, somado à baixa umidade do ar e a uma maior concentração de poluentes, é um prato cheio para esse tipo de problema. O tempo muito seco também propicia a entrada de germes através da mucosa ressecada. Observamos nas emergências e em atendimentos clínicos um aumento significativo do número de casos no inverno. Atendemos cerca de duas mil crianças por mês. Deste total, de 35 a 50% apresentam sintomas de problemas respiratórios, sejam alérgicos ou infecciosos. Com a chegada da estação fria, o aumento do número de casos chega a 70%.

Aliado às características climáticas da estação, há um fator que colabora para que a procura seja ainda maior. A mudança de hábito da população, por conta das alterações bruscas de temperatura, contribui para o aumento de complicações respiratórias: a aglomeração em ambientes fechados e mal ventilados e a diminuta permanência ao ar livre facilitam a troca de vírus entre as pessoas. “Com isto, vários tipos de vírus são transmitidos por meio da tosse, do espirro, de conversas e, principalmente, pelas mãos”, complementa o especialista, que afirma que o contato com os ácaros das roupas de frio que ficam guardadas é outro fator que pode provocar as manifestações alérgicas.

- Diagnóstico e tratamento -
Distinguir os variados tipos de infecções virais e quadros alérgicos não é das tarefas mais fáceis, uma vez que sintomas como tosse, espirro, chiado no peito e coriza estão relacionados a diferentes problemas. Alguns indicadores como duração, frequência, febre, histórico familiar de alergia e parentes com os mesmos sintomas podem sugerir determinada doença. Muitas vezes, até, as próprias infecções respiratórias virais funcionam como “gatilho” para sintomas alérgicos típicos, como sibilos, chiados, coriza e tosse irritativa.

O pediatra André Pereira alerta para o fato de que o importante nessas horas é buscar um especialista para que o diagnóstico correto seja dado e o tratamento adequado ministrado. E nunca, nunca medicar as crianças sem a assistência de um profissional:

- O tratamento dos problemas respiratórios deve ser feito de acordo com a gravidade dos sintomas. Quadros gripais leves podem ser tratados em casa, com hidratação oral, soro fisiológico nasal e medicações antitérmicas prescritas pelo médico. Em casos mais graves, com prostração, respiração acelerada e dificuldade de se alimentar, é necessário que seja feita uma investigação mais ampla, por meio de exames laboratoriais e de imagem.

Crises alérgicas geralmente necessitam de uma abordagem na própria emergência do hospital, utilizando broncodilatadores, com inalação e medicamentos corticóides. De acordo com o Dr. André, a evolução da terapêutica dependerá da resposta clínica de cada criança.

- Como evitar e prevenir? -
* Garantir que o ambiente em que a criança dorme não seja extremamente seco. Você pode usar um umidificador ou mesmo colocar um recipiente com água no cômodo;

* A velha dica da vovó: fugir do sereno;

* Preferir colocar persianas nas janelas, ao invés de cortinas que acumulam poeira;

* Não ter tapetes em casa, mas, se tiver, garantir que sejam sempre lavados e limpos, pois acumulam ácaros que favorecem problemas respiratórios;

* Reforçar a alimentação da garotada com alimentos ricos em vitamina C, como laranja, acerola, morango, espinafre, tomate, couve-flor, etc;

* Manter o ambiente sempre limpo, a fim de evitar o acúmulo de poeira;

* Evitar locais fechados, de muita aglomeração, quando possível;

* Evitar o contato de crianças sadias com pessoas com infecção respiratória;

* Não fumar próximo das crianças;

* Oferecer sempre sucos e água para as crianças, a fim de que fiquem hidratadas.

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